sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Salário digno



Salário digno
                                                                              
                           Por José Calvino

                                                                              

Tal qual meu pai,

telegrafista ferroviário

manipulava o telégrafo

pelo brilhante trabalho

fazendo tudo honestamente.

Mas, vergonhosamente o salário é mínimo(1)

e se os elogios de todos são hipócritas

prefiro o salário digno

com sublimidade da virtude

abandonando o orgulho, como o meu pai

que era chefe de estação ferroviária

e morreu sem deixar um alicate.



(1)O salário mínimo foi criado pelo ex-presidente Getúlio Vargas em 1940.

A poesia acima é uma alerta para os governos, sobretudo o Federal . Pois, com certeza, uma boa parte dos nossos intelectuais vivem politica e culturalmente  esperando uma oportunidade para mamar nas tetas do governo. É muito fácil ficar em cima do muro e criticar. Onde estão aqueles que patrocinam o Clube Carnavalesco “O Galo da Madrugada”, que sai do Recife nos carnavais arrebanhando uma multidão incalculável? Por quê nunca se rebelaram contra qualquer desgoverno?   Será que ninguém ainda não percebeu? É notório que os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) há anos estão corrompidos e que os cidadãos estão reféns dos desmandos de quem deveria defender seus direitos. Um absurdo!
A presidenta Dilma Rousseff, reeleita,  euforicamente demonstrou muito otimismo sobre as conseqüências das investigações da Polícia Federal na operação Lava Jato. A presidenta disse que a mudança seria no sentido de que vai acabar com a impunidade que vem acontecendo há muito tempo no país, ressaltando:“A questão da Petrobras é simbólica para o Brasil. Acho que é a primeira investigação efetiva sobre corrupção no Brasil que envolve segmentos privados e públicos”. Realmente é verdade, mas, ao meu ver após  as investigações policiais, ela mostrará mais eficiência se for rápida na execução das penas cabíveis. Destaco ainda a relevância de se acelerar a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de número 300-A de 2008, que trata da unificação das polícias em todos estados do Brasil.

Enfim, termino esta crônica com a poesia intitulada "Olho na Inflação":


A inflação sempre andou solta
Lembro do corte dos três zeros...
Assim, ficou cruzado novo
Mas, o confisco foi horrível e colorido.

Dizem que a corrupção anda solta
Que o conto de réis foi bom
E o cruzeiro antigo, também
E eu não tinha um vintém.

O povo fala na carestia
Os poderosos na hipocrisia
Só escritores podem sentir esse carnaval:
Pobreza, miséria... o “escambau”!

Porém, em função da inflação
O real o povo quer
E os ricos que diabo são?



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Blocos de Frevo, Caboclinhos e Maracatus nos Carnavais









Fotos: O autor no Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife. Carnaval/2015.

Blocos de Frevo, Caboclinhos e Maracatus nos Carnavais

*Por José Calvino


Este ano vibrei cantando e dançando ao som das letras: “Ó, eu”, “Barco Virado II”, Blocos de Frevo, Caboclinhos & Maracatus.
O maracatu tem batida marcante, com raízes na cultura africana. Segundo a história da escravidão, Recife – Editora Massangana, 1988: “(...) Com a abolição da escravatura negra, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, a figura do Rei do Congo – Muchino Riá Congo – perdeu a sua razão de ser. Os cortejos dos reis negros já presentes no carnaval, por sua vez, passaram a ter como chefe temporal e espiritual os babalorixás dos terreiros do culto nagô e vieram para as ruas do Recife, não somente nos dias de festas religiosas em honra de Nossa Senhora do Rosário, mas também nas festas carnavalescas. Após a abolição, porém, os antigos cortejos das nações africanas, que continuaram a se fazer presentes no carnaval do Recife, então sob a chefia dos seus babalorixás, passaram a ser chamados de maracatus, particularmente quando a notícia tinha conotação policial...”

Sempre gostei de presenciar os maracatus, sobretudo os dos Morros de Casa Amarela. O primeiro deles, criado pelo pessoal do Morro Nossa Senhora da Conceição, foi o “Sol Nascente”, em tom de baque virado. Alguns moradores naquela época, ignorantes, não aceitaram e resolveram acabar com pedradas o batuque e, para isso, ainda contaram com apoio da polícia (sic). Só nos anos 30, Biu do Maracatu fundou o Águia de Ouro, conseguindo licença na então Secretaria de Segurança Pública para o seu funcionamento. Pois antes, era proibido, e era considerado uma afronta passar na frente do Comissariado de Polícia.

Enfim, termino esta crônica com as letras do “Maracatu Barco Virado”:


Olha que batuque, minha gente,
eu quero mostrar,
é o Barco Virado,
pra todo mundo dançar.

Dança preto e dança branco,
no Maracatu da Mata,
já dançavam os escravos,
sob o som dos atabaques.

O Maracatu no Paço,
ao paço pela tarde,
os reis vão assistir,
o rítmico do passo...
a alma negra está em nós,
o espírito da liberdade,
o batuque no terreiro,
este samba é de nós.

Dança, dança, minha gente,
hoje não há mais escravos,
e vamos sambar,
eu quero é sambar,
eu quero é sambar...
  
Nota – “Maracatu Barco Virado II”, extraído do livro: “Fiteiro Cultural”, pp. 223-4, Ed. 2011.






terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Amizade sincera



                             Foto: Eglantine Mendes


Amizade sincera

Por José Calvino


Muitos não têm estudo
Mas, são inteligentes;
pois mostram compreender;
uma história contada.

Reservou-me a atenção
e sempre ao nosso lado;
melhores do que vários “intelectuais”
que vivem despeitados.
                                      
Para a nossa felicidade
um poema de humildade, feito no Morro,
em viva voz, iluminado nas relações sociais
da coletividade.

São importantes e sinceros,
e defendem a nossa virtude;
sinceramente, amo vocês.





Olho na inflação


Olho na Inflação

Por José Calvino


A inflação sempre andou solta
Lembro do corte dos três zeros...
Assim, ficou cruzado novo
Mas, o confisco foi horrível e colorido.

Dizem que a corrupção anda solta
Que o conto de réis foi bom
E o cruzeiro antigo, também
E eu não tinha um vintém.

O povo fala na carestia
Os poderosos na hipocrisia
Só escritores podem sentir esse carnaval:
Pobreza, miséria... o “escambau”!

Porém, em função da inflação
O real o povo quer
E os ricos que diabo são?





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quem sou eu


Na foto, o autor de chapéu com Abdoral de Souza Leite, ex-colaborador dos jornais do Recife.
Recife, 05/set/1997. Foto do francês François Poivret



Quem sou eu

Por José Calvino

Não sou um jovem,
nem tão pouco um nenê.
Mas, se velhos são a estrada
e os sinos de igreja?
Sempre, assim como vinho antigo,
quero versos que nos fazem rejuvenescer.
Pois sou mais velho do que
os Correios da Guararapes,
o Mercado de Sítio Novo,
as Avenidas Norte e a da Boa Vista.

O meu carnaval:
“Olha que batuque, minha gente,
eu quero mostrar,
é o Barco Virado,
pra todo mundo dançar...”.  

Afinal, o que sou?





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Abandono




Abandono*

Por José Calvino

A Biblioteca Popular de Casa Amarela está abandonada .
O descaso é enorme, desde 2012 não há diretor(a). Por falta de guardas municipais, já houve arrombamentos.
Ladrões levaram  impressora, computador,  botijão de gás, e outros objetos. Desde 2013 se promete realizar  uma reforma ali, mas até agora a prefeitura não fez nada.

*Voz do Leitor – Jornal do Commercio, 05/02/2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Morro da Conceição abandonado


Foto: Posto Policial Comunitário do Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife,  encontra-se fechado.


Morro da Conceição abandonado*

Por José Calvino


Em nome da comunidade do Morro de Nossa Senhora da Conceição, no populoso bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife, vale lembrar que em 2012 os moradores protestaram contra o fechamento do Posto de Saúde da Família (PSF). Os funcionários da unidade alegaram falta de segurança para trabalhar.

Este ano foi o fechamento do Posto Policial Comunitário. O policiamento está trabalhando em condições precárias, como por exemplo flagrante delito, pois não conta mais com uma estrutura com banheiro, água  e equipamentos para manter comunicações com a Central de Operações (COPOM) e o Corpo de Bombeiros.

Agradecemos antecipadamente soluções eficazes das autoridades, sobretudo a Secretaria de Defesa Social do Estado de Pernambuco.

*Pub. Folha de Pernambuco, 27/01/2015
 Voz do Leitor - Jornal do Commercio, 01/02/2015.