terça-feira, 30 de outubro de 2012

Honestos e desonestos



Honestos e desonestos 


Por José Calvino 



Pobre tem de ter um triste amor à honestidade.
- Guimarães Rosa -

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
- Rui Barbosa -

Confesso que reivindicar me era desagradável, embora junto a outros artífices tivesse decidido lutar por melhores condições de trabalho e aumentos salariais. Isso me perturbava, e foi com a minha honestidade que saí prejudicado, sendo demitido da grande agência de comercialização de objetos artísticos.

Pasmem com o que um ex-comerciante falido disse:

“É melhor ter empregados desonestos do que honestos!”. Perguntei o motivo e ele respondeu: “O honesto é reivindicador e não atende bem à clientela. Já o desonesto não pede aumento e trata bem os clientes. E ainda tem uma coisa: o honesto coloca você na justiça”. Esse foi o principal motivo de sua falência. É a cara do Brasil.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

De beco em beco... o da Fome


De beco em beco... o da Fome*
Por José Calvino 

Recife tem seus becos famosos: do Veado, do Marroquim, da Carioca, do Cirigado e o da Fome. Quem não conhece o afamado Beco da Fome, no Centro da cidade, não conhece o Recife! Pois é lá que encontramos de tudo: música, futebol, literatura... é também de uso público e liga a Rua 7 de Setembro à Rua do Hospício, sendo o mais animado e popular beco do Brasil.
Infelizmente, o Beco da Fome nunca foi assistido pelos órgãos públicos e ainda não dispõe de calçamento, saneamento etc. Uma placa sequer com o nome oficial não tem e ele nem é registrado no cadastro dos logradouros da Prefeitura da Cidade do Recife.
O Beco da Fome fica à mercê dos condôminos dos edifícios Pirapama, Capitólio e João Murilo. A baderna e a esculhambação são grandes. E para afugentar os freqüentadores dos botequins e transeuntes, alguns moradores maléficos jogam das janelas dos edifícios fezes, urinas, garrafas e outras porcarias mais, afastando o público do famoso beco.



Nota: Em 27/09/2009, uma equipe da Diretoria de Controle Urbano do Recife (Dircon) retirou toda a coberta do "Beco...". A coberta foi retirada, por conta da falta de segurança. A falta de manutenção da área foi a causa principal da retirada (Foi diagnosticado que havia riscos de desabamento).



* Extraído do livro "Miscelânea Recife", p. 78 - ed. do autor.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Miscelânea Recife II - Relançamento


                                                   R E L A N Ç A M E N T O
                                                                      15 NOV 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Se limparam com meu artigo



Se limparam com meu artigo


Por José Calvino 



Por mais bombástica e sensacionalista que possa parecer uma notícia, o seu tempo de sobrevivência não ultrapassa mais de 15 dias na mente e nos comentários das pessoas. Desde os grandes atentados, bem como a morte de personalidades, entre milhares de outros temas, as pessoas simplesmente não suportam mais falar sobre esses assuntos: são comentários da mesmice que já não dão audiência e, conseqüentemente, entram no esquecimento coletivo.

As notícias chegam em todos os rincões do planeta em tempo real. Interligando fatos, fotos e as notícias. A televisão consegue resguardar todos os seus arquivos através dos vídeotapes, possuindo assim grande acervo de todos os registros de ambos os séculos. A radiodifusão mantém seus arquivos históricos através dos sons gravados, com riqueza de notícias que marcaram a presença do rádio na vida das pessoas. Ao contrário dos jornais que devem manter grandes arquivos fotográficos e de conservação dos papéis. Alguns desses artigos são microfilmados e fazem parte do acervo de muitas bibliotecas, constituindo-se em uma rica fonte de informações.

Todavia, os velhos jornais são os que têm maiores serventia para o povo em geral. São usados como embrulhos e alguns casos servem até de papel higiênico! Lembro-me quando num belo dia, estava no Beco da Fome, e fui surpreendido no tratamento de um artigo sobre o reformador Calvino, que encontrava-se no cesto do lixo, substituindo o papel higiênico. A gozação dos presentes foi geral, conseqüentemente não pude deixar de achar graça em toda aquela situação.

Entrei no clima da brincadeira e resolvi escrever este artigo. Ele retrata com exatidão os caminhos tortuosos dos velhos jornais que tem alguma serventia para milhares de pessoas as quais não conseguem adquirir o velho e útil papel higiênico. Demonstrando assim o quanto nos distanciamos dos países de primeiro mundo, que mantêm o hábito da leitura dos seus periódicos como fonte de informações, entretenimento e lazer, tão longe dos bueiros e dos esgotos de suas cidades.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O melhor lugar é aqui



O melhor lugar é aqui


Por José Calvino 
Atualmente, pelas minhas andanças pelo Brasil afora, venho observando boas coisas que as prefeituras realizam referente a atrações turísticas. Admirado fico eu é com o nosso Pernambuco, que possui um fascinante ciclo turístico: a Feira de Caruaru, o espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, Garanhuns, Goiana, Glória do Goitá, Pesqueira, Petrolina, Tracunhaém (Capital da Cerâmica), Itamaracá, corrida de jangadas em Olinda (mês de setembro).

Recife é a porta brasileira de quem vem da Europa. É o ponto de escala de linhas aéreas e marítimas européias... O clima do Recife é ameno. Nele o sol tropical faz contraste com a doçura dos ventos alíseos. Suas praias são famosas e belas. As do Pina e Boa Viagem são conhecidas no Brasil inteiro; plenas de piscinas naturais, areias alvas e finas. Um festival de luz, cor, gente, brisa, músicas, alegria, barcos, água de coco, guarda-sóis coloridos, coqueiros...

O Carnaval, o maior do mundo, dura dez dias ou mais... passistas, sambistas, caboclinhos, maracatus e o frevo, ritmo e alegria do povo pernambucano. Blocos, troças e ursos, escolas de samba, carros alegóricos, pierrôs, colombinas, toureiros, ciganas, palhaços, bonecos, índios, coubóis, arlequins... Animação nos Clubes Sociais. Desfiles de clubes nas ruas e avenidas.

Recife com os seus rios e pontes simbolizando sua cidade, com a sua beleza natural. Com isso, também me veio à memória a lancha da então CTU, batizada com o nome de Garcia D'Ávila, que fazia o percurso Recife-Brasília Teimosa (atualmente Brasília Formosa), reservando muita emoção aos natos, visitantes e turistas. Agora, mudou. Os pobres, por exemplo, ficam sem participar, apenas assistindo nos festejos carnavalescos o desfile do Galo da Madrugada e da Galinha D'Água.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Recife das sorveterias




Recife das sorveterias

Por José Calvino 


As sorveterias do Recife, nos anos 50, eram bastante procuradas, sobretudo após as sessões dos cinemas São Luiz, Moderno, Art Palácio e Trianon. Infelizmente, os mesmos não mais funcionam. Nos feriados e aos domingos, além dos cinemas no centro da cidade, o pessoal tinha o costume de olhar as vitrines das principais lojas das ruas Nova, Imperatriz e Palma.

Segundo Mário Sette em seu livro “Arruar”, página 264: “No século passado as pastelarias e sorveterias vulgarizavam-se no Recife. Sobretudo o sorvete, deliciosa novidade da época, quando o gelo ainda vinha de fora. As famílias iam-se acostumando a tomá-lo, embora em salas especiais com toda a decência”.

A sorveteria mais conhecida e procurada era a Gemba, que pertencia ao japonês Heiji Gemba, e funcionava, inicialmente, na Praça Joaquim Nabuco, perto do Cinema Moderno. Em meados da década de 40, com a declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo, a sorveteria foi maldosamente depredada, com grandes prejuízos para o japonês e para os outros comerciantes alemães e italianos, aqui estabelecidos, que não tinham nada a ver com a II Guerra Mundial (sic).

Na década de 50, a Gemba reabriu na Rua da Aurora, número 31, próxima ao Cinema São Luiz. Mas, já nos anos 60, com o início da decadência do movimento econômico-social da cidade, o então tradicional estabelecimento deixou de funcionar.

Outra sorveteria bem freqüentada era a Pérola, bem próxima, também, do então Cinema Moderno. Hoje com características diferentes funciona mais como bar, sob a direção de Hercolina Cortizo, filha do espanhol Soladino Cortizo Gonzaga.

“Deus uniu Dois Irmãos”, a frase inspirou os donos da Sorveteria Dudi, que funcionou durante os anos 50 ao lado da residência do Comandante da 7ª Região Militar, Parque 13 de Maio e da loja de Móveis que tinha representante no Nordeste das famosas camas “Patente”. Nos anos 60, a sorveteria deixou de funcionar.

A Sorveteria Botijinha funcionava na Rua Matias de Albuquerque, 146. Seu primeiro proprietário Carlos Pena, era pai do poeta Carlos Pena Filho. Foi um lugar frequentado por pessoas da elite recifense, isto é, até o início dos anos 60. Até recentemente, funcionava exclusivamente como bar, mas no ano passado, foi totalmente fechado, permanecendo ali o “Fiteiro Cultural”, que era seu vizinho de número 145.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nem Savoy nem Canto do Poeta no Recife




Nem Savoy nem
Canto do Poeta no Recife


Por José Calvino



Há três anos, o Grupo Universitário Maurício de Nassau anunciou a compra do Edifício Sigismundo Cabral, endereço do antigo Bar Savoy, que era um símbolo glorioso, ligado à história do Recife! Agora só restava o Canto do Poeta. Sábado à noite, resolvi novamente reviver o Recife de outrora. Desta vez, fui ao Canto do Poeta, no primeiro andar de onde existia o Bar Savoy, na Avenida Guararapes. Para a minha surpresa, o Canto do Poeta também não existe mais. Pelo Savoy, passaram quase todos intelectuais e figuras proeminentes da região, mesmo aqueles que não bebiam bebidas alcoólicas, como é o caso do ex senador Marco Maciel que, quando governador, ajudou o Bar do Poeta. Marco Maciel se embriaga somente com as transcendentes vibrações da poesia.

Conforme o excelente livro chamado Bar Savoy, de autoria de Edilberto Coutinho, Carlos Pena Filho e Mauro Mota o freqüentavam quase diariamente. O livro contêm muitas quadrinhas de Mauro Mota, chistosas e engraçadas, endereçadas aos colegas, nem sempre de natureza muito amena. Consta que, tendo Esmaragdo Marroquim presenteado uma certa poetisa com um vidrinho de perfume, Mauro Mota saiu-se com essa: “Esmaragdo Marroquim/ faz de otário o papel/não se dá perfume assim/dá-se perfume em motel.”

Por lá andaram Laurênio Lima, Odilon Ribeiro Coutinho, Altamiro Cunha, Murilo Costa Rego, Ariano Suassuna, Marcus Accioly, Odorico Tavares, Marcos Vinicius Vilaça, Otávio de Freitas, Audálio Alves, Olívio Montenegro, Marcos Freire,´Abdoral de Souza Leite, Geraldo Tenório Aoun, Samuel Mac Dowell, Wilson Alvim, Maviael Lima (irmão), José do Patrocínio, José Condé, Edmir Domingues, etc. O Savoy foi fundado em 1944 pelo espanhol Alvarez, passando para os irmãos Simões e, por fim, para o português Joaquim Esteves Pereira, que inaugurou o Canto do Poeta. Esteves, a quem Gilberto Freyre chamava “o bom Esteves”, abandonou o Recife. Na sua gestão, o Savoy transformou-se em uma verdadeira entidade cultural, promovendo concursos, cursos, palestras e adquirindo um magnífico acervo de excelentes obras de arte.

No livro de Edilberto Coutinho constam os poemas que concorreram aos concursos, inclusive dois de Mário Hélio, agora editor da revista Continente que, ao que consta, está fazendo grande sucesso. No primeiro concurso de poesia Bar Savoy , Carlos Pena Filho foi vencido por Marcus Accioly, com o poema Elegia a Carlos Pena Filho. O júri foi composto por Lucila Nogueira e Cesar Leal. No segundo, o prêmio maior coube a Mário Hélio, com o poema As Oito Fauces do Poema. No terceiro concurso – Carlos Pena Filho foi vencido por Iran Gama, com o poema Savoyar, uma beleza, digno de figurar nas mais seletas antologias.

Freqüentava o Savoy há anos sem conta, agora ficou só na lembrança: painel 30 homens sentados, Bumba Meu Boi, Cangaceiro, Rosa Amarela, Carlos Pena Filho, Capiba, etc. O painel é de autoria de Lailson . Há, também, vários quadros de diversos autores no Canto do Poeta: Flutuante, Ponte Giratória, Rua Sigismundo Gonçalves... Agora, o português Esteves sem ajuda material da parte dos órgãos culturais, não sabe o que fazer com o acervo. O painel azulejado de Corbiniano Lins danificou-se, uma pena.

Não



Não

Por José Calvino



Dizer não
com gestos e palavras.
Meneio de cabeça,
vaivém do dedo indicador...
Mais das vezes,
o não é o sim,
e o sim é o não.
O não pode ser:
pacífico ou revolucionário.
Há uma análise bem comum:
Uma reação à violência,
à supressão das liberdades,
ao desrespeito à cidadania...
Enfim,
Não à esmola,
é o sim ao emprego digno.
Não à violência,
é o sim da paz.
Não à ignorância,
é o sim da educação.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A presidenta do Brasil na Assembléia-Geral das Nações Unidas



A presidenta do Brasil na Assembléia-Geral das Nações Unidas

Por José Calvino

“Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seus entorno regional.” 

Dilma Rousseff


Em quase meia hora de um discurso incisivo e repleto de recados e reivindicações, no dia 21 de setembro, na sede das Nações Unidas, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que há o risco de a crise econômica mundial se transformar numa “grave ruptura política e social”. Ela defendeu enfaticamente a criação do Estado Palestino e afirmou que o Brasil está pronto para integrar, como membro permanente, o Conselho de Segurança da ONU.
Como primeira mulher a discursar na abertura da Assembléia-Geral da ONU, Dilma foi aplaudida, sobretudo, quando reafirmou em seu discurso a posição do País a favor do reconhecimento do Estado palestino.
Através das comunicações radiotelegráficas internacionais e baseado em fontes bibliográficas, me foi possível a elaboração de um trabalho onde em coincidência com o momento atual, em setembro de 1973, as quais eu resumo a origem e Independência de Israel. Para muitos escritores e pensadores, Israel representa o elemento modernista na vida do Oriente Médio, esforçando-se para alcançar o progresso através do racionalismo científico. Em sua história, foi Jerusalém sua capital por três vezes: a primeira de 1.000 AEC até a destruição do Primeiro Templo em 587 (era ela a capital do Reino de David e de seus sucessores); a segunda, de 515 AEC até a destruição do Segundo Templo em 70 DEC;
A terceira, em 1948.
Jerusalém, em todos os outros tempos foi governada por estrangeiros: babilônios, sexto século AEC; gregos no século dois AEC; romanos nos anos 70 a 324 DEC; bizantinos de 324 a 614 e persas (breve período); árabes, de 639 a 1099; cruzados, de 1517 a 1917; ingleses de 1917 a 1948. Entre 1948 e 1967, uma parte da cidade era governada pela Jordânia... Jerusalém é hoje:
- uma cidade aberta;
- uma cidade na qual estão garantidas a liberdade religiosa e a proteção aos lugares santos;
uma cidade sob a autoridade de um único governo, autóctone e não estrangeiro;
- uma cidade gozando de uma prosperidade que desconheceu por dezenove séculos.
Quando o político e diplomata brasileiro Osvaldo Aranha presidiu entre 1947 e 1948, a Assembléia das Nações Unidas, desrespeitou todas as normas do direito internacional, até afrontar a Carta das Nações, que não lhe permitia inventar países ou estados que logo a seguir passassem a ter direito a voto.
O presidente americano, Barack Obama não estava presente quando Dilma falou. Ele entrou, logo depois dela terminar seu discurso. Ao final, o presidente dos Estados Unidos afirmou na Assembléia-Geral das Nações Unidas que “Há um ano, aqui desta tribuna, eu defendi a criação do Estado palestino. Eu acreditava então, e continuo acreditando que o povo palestino merece ter seu Estado. Mas eu também disse que a paz genuína só pode ser alcançada entre os palestinos e os israelenses por eles mesmos. A paz não virá por meio de declarações e resoluções na ONU. Se fosse tão fácil, já teria sido feito.” O seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, não está garantido? Ou fica difícil, hein?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Aniversário de Sofia


   Na foto aparecem, da esquerda para a direita, o autor, Francielly Karine (neta da aniversariante) e Wilson, seu avô.


Aniversário de Sofia

Por José Calvino



Domingo, foi uma festa de arromba no Morro da Conceição, área de ar mais puro do Recife. Maria Aldacir Pereira, mais conhecida por “Sofia” (por ter alguns traços parecidos com os da atriz italiana Sophia Loren), comemorou o seu aniversário no novo espaço, o Bar de Sofia. O meu amigo Azambujanra, como um bom observador, aliás, ele é um notívago que conhece todos os bares da cidade,  foi assim que foi convidado pelo amigo Wilson do Morro para animar a festa. Solícito,  ele foi conhecer o novo espaço.
Azambujanra faz parte de uma espécie  cada dia mais rara de folclorista,  um tipo como um Câmara Cascudo ou Mário Souto Maior. Na hora do parabéns pra você, Azambujanra pediu para todos se levantarem e cantar  com a melodia diferente da tradicional. Após o “Parabéns...”, fomos apresentados a um metido a engraçado, trajando uma camisa branca com os dizeres “Professor Sexual”. Seu sotaque sugeria a origem paulista, entretanto, nasceu em Timbaúba interior de Pernambuco. Já a aniversariante se orgulha de ter nascido no Morro da Conceição. Parabéns, Sofia. O metido a engraçado começou a recitar uma poesia dizendo ser de sua autoria: “(...) O amor não tem pressa/ Ele pode esperar em silêncio/ Num fundo de armário,/ Na posta-restante,/ Milênios, milênios/ No ar// E quem sabe então...”.
Eu sei, é de Chico Buarque,  entrecortou Azambujanra, fazendo os presentes rirem. Wellington, filho da aniversariante e de Wilson,  pede então que Azambujanra  comece a animação e ele,  com a mesma performance de 2006, quando foi a estrela de uma festa de confraternização no Zezim Bar em Casa Amarela. Inteligentemente deu continuidade a “Futuros Amantes”, de Chico Buarque. Juntei-me a ele e, a quem interessar possa, segue a reprodução, em resumo, do   show, gratuita:

Misturei “O Ébrio”, de Vicente Celestino, com “Maracatu Barco Virado”.
“Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer/ Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou...”.
- Olha que batuque, minha gente... – Azambujanra na brincadeira começou a falar estrambólico: “ Reck lay mil rex luna chevoley hal perst raí lok sir dave money Calvin...”
A propósito, silenciamos. Percebi que o público gostou de determinado momento, quando  contávamos algumas historietas do meu CD Miscelânea Recife: “Samba de um calouro”, “Almas penadas”, “Personagens folclóricas”, etc. O meu amigo Azambujanra preocupado, então cantou Casa Amarela: “Recife cidade linda/ De uma natureza infinda/ Do nordeste do meu Brasil/ Tens um subúrbio afastado/ Com tantas belezas mil: Casa Amarela...”
Recitamos Morro e Balas perdidas e também cantamos muito frevo e samba em homenagem aos compositores pernambucanos. Finalizamos com um parabéns pra Sofia pelo seu sucesso, sempre na medida certa.  




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Estação Central da Cultura





Estação Central da Cultura

Por José Calvino 


Recordando o passado

Fito no presente

Fiquei escoteira

Sem sair da esplanada...

A todos eu quero que me vejam!



A tarde durava cinco horas. Às 17 h, o passeio turístico de trem. “Maria Fumaça Bar” começava a funcionar. Sardinha Filho deixava o seu gerente administrando o “Vagão Bar” na orla marítima do Farol. Por brincadeira Azambujanra havia dito que iria comprar uma locomotiva abandonada próxima à antiga estação ferroviária do Farol da Mata. A família Sardinha soube e incontinenti  a comprou. Os Sardinha mandavam no Farol. O que se dizia era  que o visitante também havia dito que, como não conseguiu comprar a Maria-Fumaça, compraria um vagão da antiga Great Western que se encontrava abandonado na orla marítima. A notícia se espalhou. Azambujanra, na verdade, estava brincando e na verdade não tinha condições para comprar o dito Vagão, nem tão pouco a locomotiva.

Dona Azambujanra pegou o bule azul, de ágata, com desenhos de margaridas e despejou o café nas xícaras de porcelana desenhadas com flores e passistas do frevo (do samba). Enquanto tomava o café da manhã, pensou: “Por que os Sardinha têm prazer de mostrar que tudo do Farol é de sua família?” Azambujanra sabia que a família Sardinha era uma das mais poderosas do Brasil e representava o Farol. Nisso, o telefone toca, e  novamente ele  escuta a voz entusiasmada de Gerlane que, futuramente, haveria de ser sua mulher e gerenciar os seus negócios. A primeira iniciativa foi comprar a sua própria casa, pois não estava mais com paciência de fazer negócio com os Sardinha. 

- Essa casa é mais apertada do que uma lata de sardinha! – disse o poeta de Olinda.

A restauração da centenária Estação Central se iniciara simultaneamente à da centenária Maria Fumaça e do vagão de trem, todos tombadas como patrimônio histórico ferroviário. O lugar seria batizado Estação Central da Cultura Sardinha. Uma dos Sardinha lembra-se de ter recebido um telefonema do governo, falando sobre a homenagem, anos atrás. Mas, o Espaço ficará sem o nome de Sardinha. O novo centro cultural ocupará o casarão principal da antiga Estação Ferroviária. O Museu de Trem será reinstalado no prédio, ação prevista para o fim de outubro deste ano. O nome de Sardinha seria uma homenagem dos politiqueiros eclesiásticos. Ele nunca foi ferroviário, nem tão pouco ligado à ferrovia.

É de se admirar os absurdos nesta campanha eleitoral que vêm ocorrendo com candidatos prometendo metrô de superfície ou plano elevado por monotrilho (Brum/Casa Amarela, com terminal em Macaxeira via Av. Norte. Idem Recife/Olinda), quando sabemos que  estes são programas federais e, se por ventura forem realizados, não serão fruto de uma mera coincidência, pois sugestões constam nos livros “O ferroviário”, p.41- ed. 1980 e “Trem Fantasma”, p.56 – ed. 2005.


Nota: O autor se inspirou no abandono em que se encontra o Museu do Trem do Recife.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mangue



Mangue* 

Por José Calvino 


“(Lá no mar)
Vi dois siri jogando bola
(Lá no mar)
Vi dois siri bola jogar...”
( Luiz Gonzaga – Zé Dantas)

Azambujanra é um amigão. Bom, mesmo. Deixou de beber e fumar, mas a casa dele em Olinda vive na maior tranqüilidade, próxima ao Espaço Ciência, localizado no Complexo de Salgadinho, Parque Memorial Arcoverde, em Olinda. Antes, vivia cheia de “amigos”, como já cantava Nelson Gonçalves: “Amigo, palavra fácil de pronunciar. Amigo coisa difícil de se encontrar...” Azambujanra sempre foi um defensor ferrenho dos manguezais. Colaborou com o meu CD, Miscelânea Recife (mistura do que existe para presente e futuro), composto por trinta e um itens, entre Abertura, historietas, poesias, crônicas, personagens folclóricas e músicas, com produção executiva, direção, execução dos equipamentos (computadores e teclados) confecção do CD e projeto gráfico de meu filho, Euclides de Andrade Lima.

Bem, preciso voltar ao assunto novamente, agora pra mostrar que Azambujanra é um artista com as mãos (sobretudo os dedos), de um artesão solitário, com muito amor, com a paciência e dedicação à produção de caranguejos, amoré, aratu, siri, chié e muitas espécies de aves que são habitantes temporárias dos manguezais. Os guarás, as garças, maçaricos... tudo, enfim, feito de garrafas plásticas, tampas de garrafa, palitos de picolé (arte & reciclagem), todos esculpidos à mão. De repente surge, vindo de Sítio Novo em direção às comunidades do Chié e Ilha do Joaneiro, ambas localizadas no bairro de Campo Grande, Recife, uma passeata de um candidato a vereador na reta final da campanha. Estava lá um amigo de um politiqueiro, monitorado por uma tornozeleira, porque está proibido de sair de casa durante a noite e aos finais de semana. O motivo não interessa citar aqui. O que eu sei é que ele foi preso pela Polícia, durante uma operação “Pente Fino”. Festa igual, nem quando o Brasil ganhou a primeira Copa do Mundo. Será que na Copa de 2014 ficará assim? Houve engarrafamento na Avenida Agamenon Magalhães, um caos. Igualmente quando foi apresentado ao público na praia de Boa Viagem, no Recife, o mascote para a Copa do Mundo de 2014: um tatu-bola que a Fifa escolheu. Azambujanra, sou grato pela sua atenção e a quem interessar possa, permita-me:

Mangue*

Ouvi dois caranguejos/ Cantando no mangue/ No brejo perto do Chupa e do mar: Mangue, mangue,/ Mangue, mangue,/ Mangue, mangar/ Mangão, você?/

Está vegetando, destruindo a flora/ E a fauna dos mangues./ E ainda por cima mangando da gente!/ Mangue, mangue mais/ Animal racional. Chupa, chupa... Humanidade// A draga chupa, chupa.../ Sem parar/ Chico Ciência ainda vive/

No nosso coração/ Defendendo os animaizinhos/ Que vivem nos mangues/ Irracionalmente// Animalzinho irracional/ Sofrendo com decisões irracionais/ Dos racionais.//Aterrando os mangues!/ A draga chupando/ Mangue, mangue... (Bis) Na década de 50/ Existia meios para os pobres sobreviverem/ Vários lugares foram aterrados: Santo Amaro, Coque, Campo Grande...

Mangue, mangue... (Bis)

* Em homenagem a ‘Chico Science’ – Lembrança da Semana do Manguezal – Espaço Ciência, Parque Memorial Arcoverde, Olinda, 13/14/out/1997 – p. 72 do livro “O Pai do Chupa”, edição 1995.
Gravado em CD "Miscelânea Recife", item 29 "Mangue" – fev/mar/2003.